ITBI, escritura e cartório: entenda todos os custos da compra de um imóvel

Comprar um imóvel é um dos passos mais importantes da vida de qualquer pessoa. Além de envolver planejamento financeiro e emocional, essa decisão exige atenção a todos os custos que vão além do valor da propriedade em si. Entre os principais, estão o ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis), as taxas de escritura pública e os custos de registro em cartório.
Muitos compradores iniciantes se surpreendem com essas despesas, que podem representar uma porcentagem significativa do investimento final. Entender como cada uma delas funciona é essencial para se organizar, evitar sustos e concluir a negociação com tranquilidade.
Neste artigo, vamos explicar detalhadamente o que é ITBI, quais os custos da escritura e do cartório, como calcular cada despesa e de que forma se preparar para esse momento.
O que é ITBI?
O ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis) é um tributo municipal pago sempre que há transferência de propriedade de um imóvel entre pessoas vivas, ou seja, em uma compra e venda. Diferente do ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação), que se aplica a heranças e doações, o ITBI é exclusivo para negociações de compra.
Cada município define suas próprias regras e alíquotas, o que significa que o percentual pode variar de cidade para cidade. Na maioria dos casos, a alíquota do ITBI gira em torno de 2% a 3% sobre o valor do imóvel, mas em grandes capitais pode haver variações ou até descontos em situações específicas.
Como calcular o ITBI
O cálculo é feito sobre o valor venal do imóvel ou sobre o valor de venda declarado no contrato — sempre prevalecendo o maior entre os dois.
Exemplo prático:
Valor de compra do imóvel: R$ 400.000
Valor venal definido pela prefeitura: R$ 420.000
Alíquota ITBI no município: 3%
O cálculo será feito sobre R$ 420.000 (valor maior).
Resultado: R$ 12.600 de ITBI.
É importante destacar que algumas cidades oferecem isenção parcial ou total para o primeiro imóvel financiado pelo comprador, dentro de programas de habitação popular. Por isso, vale a pena consultar as regras específicas do município onde o imóvel está localizado.
Escritura pública: o que é e quanto custa?
A escritura pública de compra e venda é o documento lavrado em cartório que oficializa a negociação entre comprador e vendedor. Ela garante segurança jurídica ao negócio, registrando formalmente que o imóvel foi transferido de uma pessoa para outra.
Embora muitas pessoas pensem que apenas o contrato particular de compra e venda seja suficiente, a escritura é obrigatória em quase todos os casos — exceto quando o imóvel foi adquirido por meio de financiamento bancário, já que o próprio contrato de financiamento pode substituir a escritura.
Custos da escritura
Os valores da escritura não são fixos em todo o Brasil, mas são tabelados em cada estado e variam conforme o preço do imóvel. Em média, a escritura pode custar entre 0,5% e 1% do valor do bem.
Exemplo prático:
Imóvel no valor de R$ 400.000
Tabela estadual prevê escritura em torno de 0,6%
Resultado: R$ 2.400 de custos com escritura.
Além disso, pode haver despesas adicionais, como emissão de certidões ou taxas administrativas.
Registro em cartório: por que é tão importante?
Depois da escritura, é necessário registrar o imóvel no Cartório de Registro de Imóveis da região onde ele está localizado. Esse registro é a etapa que garante, de forma definitiva, que o comprador se torna o proprietário legal do imóvel.
Sem o registro, mesmo que a escritura já tenha sido feita, o imóvel ainda não é considerado oficialmente transferido. Isso significa que, em eventuais disputas judiciais, o comprador pode não ter seus direitos reconhecidos.
Custos do registro em cartório
Assim como acontece com a escritura, os custos de registro são definidos por tabelas estaduais. Normalmente, eles ficam em torno de 0,5% a 1% do valor do imóvel.
Exemplo prático:
Imóvel no valor de R$ 400.000
Tabela estadual indica 0,7% para registro
Resultado: R$ 2.800 de custos com registro em cartório.
Custos adicionais que você precisa considerar
Além de ITBI, escritura e registro em cartório, existem outros custos que podem surgir ao longo do processo:
Certidões negativas: emitidas para comprovar que o vendedor não possui dívidas ou pendências judiciais.
Taxas bancárias: em casos de financiamento, podem incluir avaliação do imóvel e tarifas administrativas.
Honorários advocatícios: caso o comprador opte por acompanhamento jurídico especializado.
Essas despesas extras variam bastante, mas é importante ter uma reserva financeira para cobri-las.
Quem paga o quê: comprador ou vendedor?
Na maioria das negociações, o comprador é responsável pelo pagamento do ITBI, da escritura e do registro em cartório. O vendedor, por sua vez, costuma arcar com as certidões que comprovam a regularidade do imóvel.
No entanto, nada impede que as partes cheguem a um acordo diferente durante a negociação, desde que isso esteja registrado no contrato.
Como se planejar financeiramente para esses custos
Ao planejar a compra de um imóvel, muitas pessoas se concentram apenas no valor de entrada e nas parcelas do financiamento. No entanto, é fundamental reservar uma parte do orçamento para os custos cartorários e tributários.
Uma boa prática é considerar que esses custos podem chegar a 5% do valor total do imóvel. Assim, se o imóvel custa R$ 400.000, o comprador deve ter aproximadamente R$ 20.000 disponíveis apenas para cobrir ITBI, escritura, cartório e outras taxas.
Dicas para economizar
Verifique descontos no ITBI – muitos municípios oferecem isenção parcial para o primeiro imóvel adquirido com financiamento.
Pesquise valores nas tabelas estaduais – os cartórios seguem regras oficiais, mas é possível consultar previamente quanto será cobrado.
Negocie responsabilidades com o vendedor – em alguns casos, ele pode assumir parte dos custos, especialmente em negociações diretas.
Organize todos os documentos – atrasos ou erros podem gerar taxas extras desnecessárias.
Principais dúvidas sobre ITBI, escritura e cartório
1. É possível parcelar o ITBI?
Em alguns municípios, sim. Isso depende da legislação local.
2. Preciso pagar escritura se comprei com financiamento?
Na maioria dos casos, não. O contrato de financiamento tem força de escritura pública.
3. Posso registrar o imóvel sem pagar o ITBI?
Não. O cartório exige o comprovante de pagamento do imposto para efetivar o registro.
4. O que acontece se eu não registrar a escritura?
Sem o registro, o imóvel continua em nome do antigo proprietário, trazendo riscos para o comprador.
Conclusão
Ao comprar um imóvel, é essencial entender que os custos não se limitam ao preço acordado com o vendedor. O ITBI, a escritura pública e o registro em cartório são despesas obrigatórias que garantem a legalidade da transação e a segurança do comprador.
Embora possam representar uma quantia significativa, esses custos devem ser vistos como um investimento na tranquilidade de ter a propriedade reconhecida oficialmente. Planejar-se com antecedência, pesquisar as regras locais e organizar a documentação são passos fundamentais para evitar surpresas e concluir o processo com sucesso.
Na Buskaza, acreditamos que informação é a chave para que corretores e compradores façam negócios mais seguros e conscientes. Por isso, estar atento a todos os detalhes da compra, inclusive os custos cartorários e tributários, é essencial para transformar o sonho da casa própria em realidade sem imprevistos.